O
fanatismo, a
crença cega na teocracia humana, alcança um nível que, se você
questionar, ou
apenas duvidar de um determinado líder, e um dos adeptos dele for seu
amigo, este se transformará em seu
pior inimigo! A mente está dominada de uma forma quase irreversível.
Tentar
fazer uma pessoa assim a pensar de forma imparcial e crítica sobre a sua
credibilidade cega no pastor, é
complicadíssimo, e gera uma discussão interminável. A maioria destas
pessoas receberam alguma
bênção durante o culto (que veio de Deus, e não do homem) e o pastor,
automaticamente, torna-se um
ídolo. Este tipo de crente até prega que a 'glória' deve ser somente
para Deus, mas defende o líder a unhas e dentes. Daí a razão de
dificilmente ele
desconfiar do querido pastor que lhe impôs as mãos, e ele foi curado,
liberto, etc. Mesmo que chegue aos seus ouvidos que o pastor cometeu
algum erro, para ele isso não
passará de um pequeno deslize, sem nenhuma gravidade. Até o dia em que
este
deslize se confrontar com ele, ou uma "bomba" estourar, revelando
adultérios e outros pecados ocultos do líder. Quando este membro, que
tinha o pastor como
o "santo homem de Deus", se
decepciona, cai numa profunda depressão, apostata da fé, e dificilmente irá para alguma outra igreja.
Torna-se um ateu sem assumir publicamente. A sua fé estava mais no homem do que em
Deus.
Quando falo de
"mente vazia", não me refiro a estar de férias, descansar um fim de semana,
viajar, sem estar no ofício de seu trabalho. Há um enorme equívoco na
interpretação desta ociosidade da mente humana. Me refiro ao crente que não gosta de meditar na Palavra de Deus,
lê muito pouco a bíblia, que vive de 'caixinha de promessa', como se a
Escritura fosse um mero sorteio de mensagens bíblicas. Seus
pensamentos sobre o que é ser cristão variam entre achismos e pregações aleatórias que ele ouve aqui e ali.
Afirma que não gosta de teologia, mas a sua mente é impregnada de raciocínios
humanos sobre o que é santificação, igreja, pecado, o que dá no mesmo, só que
pior: andando na contramão das Sagradas Escrituras. Em alguns casos nem o pastor
tem culpa do que determinados tipos de membros colocam na cabeça. Alguns criam uma
fantasia espiritual, que ele tem um segredo ultra-secreto com Deus, que ninguém
está capacitado a entender o "mistério" que Deus tem na vida dele. Nem o pastor! É tão "profundo" que nem ele entende.
E nunca vai entender! Este é o típico
desobediente, pois o pastor solicita que ele não falte a Escola Bíblica
Dominical, ou reunião de estudo, e este crente quase nunca
aparece. Equivocado e imaturo, sempre afirma que "a obra que Deus tem na vida dele é diferente",
e conclui que não precisa aprender igual aos outros.
Quase sempre faz isso espelhando-se em outros "meninos da fé", que se
sentem estrelas pentecostais em vigílias e reuniões "de fogo", onde os glórias e aleluias
funcionam como aplausos as frases de efeito, versículos isolados,
jargões pentecostais, e outros devaneios explanados aos gritos no
microfone.
Uma das
coisas que me deixa indignado são pregações patéticas que tem, em seu
conteúdo, terceiras intenções, no que diz respeito a "segurar" pessoas
na igreja. Quando um determinado tipo de pastor percebe que não está
sendo "obedecido"
por um certo número de membros, sermões flamejantes (com uma suposta
"revelação" adequada ao problema) são disparados do
púlpito, do tipo: "A árvore vai
balançar e os frutos podres vão cair...fiquem ligados, irmãos..."
Traduzindo: quem saiu, inconformado com
as diretrizes do pastor, é porque era fruto podre, não prestava. Mas
quem ficou,
passivo aos caprichos do 'coronel', mesmo que discordando as escondidas,
é fruto
bom, porque permaneceu na igreja. Um sermão muito conveniente para quem
gosta de
controlar o povão. Me impressiona como alguns pastores chegam a dizer,
em conversas particulares, que o povo precisa ser tratado com "dureza",
ou do contrário não se submetem as ordens pastorais. Discordo
completamente, como ainda tenho comigo o conselho do salmista, quando
diz: "Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm
entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não
se sujeitarão". (Salmos 32:9) Muito ao contrário dos valores de alguns líderes
contemporâneos, a Bíblia Sagrada nos ensina uma independência e liberdade em
Cristo, para fazermos a obra de Deus sem estarmos debaixo do jugo do homem. Isso
nos é claramente mostrado quando Jesus não se agregou a mercenários, denunciando
os vendilhões do templo, cujo os únicos motivos de estarem ali era pelo
dinheiro. Quando desmascarou os escribas fariseus hipócritas, que pensavam
servir a Deus com suas vestes talares, e Jesus os chamou de sepulcros
caiados. Se somos convidados pelo apóstolo Paulo a sermos "imitadores" de Cristo (1º Coríntios 11:1),
então a nossa indignação contra aquilo que está errado não pode ser
comparada ao pecado de rebeldia ou desobediência. Se pregamos contra o
pecado para aqueles que são do mundo e não conhecem a verdade, muito
mais para aqueles que a conhecem, não?!
Numa ocasião, quando eu ainda
era missionário, fui convidado a pregar em uma igreja. Lá eu via muitas pessoas
chegando, e o pastor observava a cada uma, sentado do púlpito. Num dado momento, chegou um visitante e
estacionou o carro do outro lado da rua. Ele desceu do púlpito e foi correndo
abraça-lo. Pensei se tratar de alguém que ele esperava, um parente. Mas não.
Sequer o conhecia! Quando voltou, percebendo que fiquei olhando, ele falou ao pé
do meu ouvido: "-Visitantes
assim a gente tem que recepcionar bem...para voltarem sempre!" Mas e os outros? - pensei comigo.
Aqueles inúmeros irmãos, que chegam a pé, não tem tanto valor quanto o irmão
que chega balançando a chave do carro?! Nesta igreja onde fui, qualquer irmão de maior
poder aquisitivo rapidamente era consagrado ao diaconato e presbitério, quando
outros, mais humildes, esperavam a anos um dia poder ser do ministério.
Ao encerrar o culto, este pastor, na maior cara-de-pau, me convida a
sair do meu ministério, e mudar para o dele. Respondi que até então eu me sentia muito bem onde eu estava.
Querendo admitir ou não, a grande maioria dos evangélicos sabe
que esta é uma realidade em várias igrejas.
Infelizmente
vivemos numa época em que muitas igrejas precisam ser
evangelizadas! Vê-se muito corporativismo
religioso, porém pouco amor ao próximo. Pessoas são valorizadas, não por aquilo
que elas são, mas por aquilo que elas tem. Onde está o amor ágape, que
está acima de todas estas coisas?! Qual o sentido de ser
cristão, "diferente do
mundo", se as nossas atitudes não nos identificar como noiva de Cristo?! Se
agimos, em termos de valores sociais, igual ao mundo, qual a diferença da igreja
com aqueles que não servem a Deus?! Se confessamos a Cristo como nosso Salvador,
se anunciamos o evangelho da salvação que transforma o ser humano em uma "nova criatura",
se nos vestimos como crentes, se falamos e
usamos vocabulário de crente, onde está a identidade de Servo e imitador
do Mestre, quando destratamos um irmão por ele não ter um carro do ano, não
morar na zona sul, e não dar um dízimo alto?! Será que este comportamento irá
passar desapercebido aos olhos do Senhor pelo fato de estarmos dentro da igreja
todos os dias, presente em todos os cultos?? A Palavra de Deus, a Espada do Espírito, nos dá
excelentes respostas!
"Muitos me
dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu
nome não
expulsamos demônios? E em teu nome
não fizemos muitas maravilhas? E
então lhes direi abertamente:
Nunca vos
conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade". (Mateus
7:22)
"Porque, se
entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje
esplêndido, e entrar também
algum pobre com traje sórdido, e atentardes para o
que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar
de honra,
e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés,
não fazeis, porventura, distinção
entre vós mesmos e não vos tornais juízes
movidos de maus pensamentos? Mas se fazeis acepção de pessoas,
cometeis pecado,
sendo por isso condenados pela lei como transgressores". (Tiago
2:2-4,9)
"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo
a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade. Nem como dominadores
sobre
os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho". (1º Pedro 5:2,3)